quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Dourdil por Aniceto Carmona





"A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta."

Fernando Pessoa


Luís Dourdil 
Aniceto Carmona 1975
© All rights reserved
Link::--https://pt.wikipedia.org/wiki/Aniceto_Carmona

"Preciso de parar constantemente de pintar para poder proporcionar e receber as sugestões que o quadro me vai dando à medida que nele avanço" Luis Dourdil



Luis Dourdil
Óleo s/papel colecção particular
© All rights reserved



(...) Recordar, revisitar, repetir de todos os modos, qualquer forma de aceder ao pintor Luís Dourdil, é favorecer a manutenção da memória e da sua identidade plástica; é promover a continuação de estudos e as mais variadas fruições; é trazer para os grandes públicos e disponibilizar um dos artistas do século XX com obra de relevo; é sobretudo combater a finitude da condição humana, contrapondo pertinente a intemporalidade das suas composições plásticas.
E se essa intemporalidade pode de facto contrariar o esquecimento e o ostracismo, que muitas vezes apanha tão desprevenida, quanto indefesa, a obra criada, será pois na ritualização temporal que podemos contrariar esta e outras circunstâncias, num círculo contínuo de construção e reconstrução da identidade da arte e do património e do seu garante memória.
E, se admitirmos que o fundamento do tempo é essa memória, parece pois ser possível considerar que a exaltámos, cumprindo com a homenagem justa e a divulgação substantiva.

Maria Teresa Bispo 
Licenciada em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; Mestre em Arte, Património e Restauro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; 

http://novaserie.revista.triplov.com/ana_luisa_janeira/maria_bispo/index.html

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

LUIS DOURDIL- PINTURA PORTUGUESA



" A identidade de um estilo" Luis Dourdil

Desenho de Luis Dourdil anos 30







Desenhos de Luis Dourdil anos 30

Pintura Portuguesa - Luis Dourdil

" A identidade de um estilo" Luis Dourdil


Desenho de Luis Dourdil, anos-30 "Isna de S.Carlos" Beira Baixa

(...) Figuração, abstracção, desenho e pintura foram os binómio férteis  em que se construiu a obra de Luis Dourdil.
Para tema quase exclusivo da sua obra escolheu a figura humana, com as suas formas e gestos, os seus dramas e os seus conflitos ,corpos postados num mundo real- o do trabalho, das horas deócio, e desprazer, quase sempre daquelas que vivem nas margem da sociedade (...) 
Dr. Lima de Carvalho in Exposição Homenagem a Luis Dourdil 1990

terça-feira, 8 de novembro de 2016

"Fase dos Jovens- Motards"

(...) "Pequena história que ilustra bem o carácter do pintor.
Dourdil trabalhava num atelier nos Corochéus cujos jardins envolventes, a partir de determinada altura foram palco de habilidades motorizadas diversas.
O ruído produzido era extremamente perturbador do seu trabalho,interferindo demasiado no seu silêncio peculiar.
Foi então que Dourdil interpelou esses jovens, convidando-os, inclusivamente, a visitar o seu atelier, mostrando-lhes o seu trabalho, em muitos dos quais figuravam esses mesmos jovens de jeans e capacetes em deleites fortuitos nos relvados.
Chegaram então a um acordo:quando Dourdil estivesse a trabalhar, colocava à janela um pano vermelho, sinal suficiente para que os motores se silenciassem na proximidade do atelier.
Note-se que este acordo foi honrado,para espanto de outros".(...)
Ana Isabel Ribeiro 
in Luis Dourdil O Lápis Como Instrumento Soberano Catálogo Casa da Cerca

Pintura portuguesa Luís Dourdil

"Fase dos jovens " corpos deitados na relva ao sol, esboçando delicados gestos de ternura e amor.



"Herdeiro das correntes cuboexpressionistas, mas adaptadas à sua sensibilidade, Dourdil, hóspede habitual da "Brasileira, amigo de poetas e pintores. expõe no seu próprio meio.
O tema é pois,um registo sociológico, figuras de jovens sem rosto, anónimos habitantes das ruas (...)"

Nelson Di Maggio in Artes Pásticas 13-05-86







domingo, 6 de novembro de 2016

Sá Nogueira e Luis Dourdil memórias e factos



 Sá Nogueira, Lisboa, 19 de Maio de 1921 – 18 de Novembro de 2002, foi um pintor e professor; pertence à terceira geração de artistas modernistas portugueses.  




Ilustradores da obra aquiliniana-Link:

Abel Manta, Nikias Skapinakis, Manuel Lapa, Bartolomeu Cid, Eduardo Cruzeiro, Manuel Jorge, Dórdio Gomes, João Abel, Alice Jorge, Bernardo Marques, Paulo Guilherme, Jorge de Matos Chaves, Luís Filipe de Abreu, João Hogan, António Vaz Pereira, Leal da Câmara, Augusto Sereno, Maria Keil, João da Câmara Leme, Sá Nogueira, Lima de Freitas, Guilherme Casquilho, Martins Barata, Cândido Costa Pinto, Fernando Lemos, Benjamin Rabier, Júlio Pomar, Carlos Botelho, Clementina Carneiro Moura, Luís Dourdil, Aldina Costa, Stuart Carvalhais, Taciano da Costa



100 PINTORES PORTUGUESES DO SEC. XX Edições Alfa Lisboa 1986



Luís Dourdil- Óleo s/Tela - Colecção particular.
© All rights reserved 

"Linhas sensíveis revelam o diálogo entre a mão e o olhar do pintor, na construção de um espaço que é sempre entendido através da sugestão da figura humana, em desenhos que valem por si mesmos, ou em pinturas de harmónicos valores luminosos."
Gonçalves Rui Mário em 100 PINTORES PORTUGUESES DO SEC. XX Edições Alfa Lisboa 1986

Luis Dourdil 1914-1989-O lápis como Instrumento Soberano

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

DOURDIL IRÁ EXPOR NO MUSEU DE OVAR EM NOVEMBRO DE 2016 : CONHECER O MUSEU

"O Museu de Ovar é um tesouro para quem da cultura tenha uma concepção global”
José Saramago in viagens a Portugal





"Peixeira de Ovar" 


fotos de Antonieta Figueiredo



Professor Manuel Cleto, Director do Museu de Ovar, e o Dr. Luis Fernando Dourdil filho do pintor Dourdil.



O  Museu de Ovar foi fundado  por José Augusto de Almeida  a 8 de Janeiro de 1961.
Recentemente homenageado, foi dado o seu nome a uma "Sala de Exposições"num tributo que fez reavivar a memória, o empenho e o entusiasmo decisivo de José Augusto de Almeida na fundação do Museu de Ovar e na angariação de obras de artes de grandes artistas, ceramistas e pintores, que enriqueceram o seu valioso espólio como  nos contou o actual director Professor Manuel Cleto.



foto de Antonieta Figueiredo

Neste museu é contada a história de Ovar e das suas gentes através da riqueza da colecção de trajes regionais de Ovar e de todas as regiões de Portugal, os delicados bordados, objectos relacionados com antigos costumes e profissões, exemplos da arquitectura e interiores das casas populares compõem parte da exposição, cujo trabalho de conservação e registo é elaborado por duas dedicadas senhoras que há mais de 20 anos fazem parte desta instituição, grandes profissionais Leonor e Lurdes.



foto de Antonieta Figueiredo
Tendo como missão, recolher, estudar, conservar e divulgar o património cultural das gentes de Ovar o acervo é constituído essencialmente por objectos de arte e etnografia, que ao longo dos anos foi enriquecido através de doações de variadíssimas entidades públicas e particulares.



foto de Antonieta Figueiredo


Realçam-se, ainda, centenas de bonecas provenientes de muitos países e uma valiosa colecção de pintura e cerâmica contemporâneas.


O Museu de Ovar é uma instituição com mais de cinco décadas de existência e com uma acção directa na cultura, através de exposições, palestras, participação em eventos, divulgação de documentação, entre muitas, e diversificadas outras actividades.













Para assinalar o 55.º aniversário, o Museu de Ovar foi ao seu vasto espólio buscar uma significativa Colecção de obras do ceramista e pintor Querubim Lapa que de forma surpreendente, aos 90 anos de idade voltou a Ovar para a inauguração da exposição que reúne quase duas dezenas de obras em cerâmica, desenhos e uma pintura a óleo, “Peixeira”, recheada de simbolismo na sua relação com o Museu de Ovar.




Trabalhos dos anos 60 que proporcionaram um momento de grande emoção ao artista mal entrou na sala recheada com as suas obras e convidados que o esperavam para mais um acontecimento cultural que presenteou os 55 anos do Museu de Ovar e a sua história, a que Querubim Lapa ficou justamente ligado pelo entusiasmo e dedicação do seu fundador José Augusto, que, como recordou o artista a convite do Padre Pires Bastos, ali presente, para que este ajudasse a clarificar tal ligação, “ambos frequentava-mos o Café A Brasileira, em Lisboa”, um dia José Augusto lançou-lhe o desafio para oferecer uma obra ao Museu de Ovar que já na época tinha várias de Jorge Barradas.
Link da noticia Fevereiro 2016 ler;
http://etcetaljornal.pt/j/2016/02/museu-de-ovar-comemora-55-o-aniversario-com-obra-do-mestre-querubim-lapa/





Com um património também invejável, relacionado com pintura, fotografia, etnografia e arte africana, rico de trajes e costumes da região, contém valiosa colecção de pintura contemporânea. 

O trabalho desenvolvido pelo  actual Director do Museu Manuel Cleto, é notável e reconhecido.
Com uma invulgar sensibilidade e dedicação tem sabido conjugar exposições de artistas consagrados, ao mesmo tempo que dá oportunidade a artistas mais jovens.









O Concelho de Ovar localiza-se no Distrito de Aveiro, confrontando a Norte com o Concelho de Espinho, a nascente com os Concelhos de Santa Maria da Feira e Oliveira de Azeméis, a Sul com o Concelho de Estarreja e Murtosa e a poente com o Oceano Atlântico, ocupando uma posição privilegiada no litoral norte.


Câmara Municipal de Ovar


O seu regular desenvolvimento sócio-económico associa-se à proximidade do Mar e da Ria, à fertilidade do solo e à planura da região.



Tribunal de Ovar 



Painel em azulejo policromado ano de 1965 de Jorge Barradas, na fachada do Tribunal de Ovar.



Ovar caracteriza-se pelas casas de azulejos multicolores, na profusão de cores e 
padrões, em contraste com a singeleza das cantarias que fazem dela um museu vivo do azulejo.




"Lavrador de Ovar"

As curiosas Capelas dos Passos, a Semana Santa, a Procissão dos "Terceiros" de ricos andores e a dos Passos saindo da Igreja Matriz são testemunho de tradições religiosas.



terça-feira, 27 de setembro de 2016

DOURDIL MUSEU GULBENKIAN

"Vais crescendo, meu filho, com a difícil luz do mundo. Não foi um paraíso, que não é medida humana, o que para ti sonhei.
Só quis que a terra fosse limpa, nela pudesses respirar desperto e aprender que todo homem, todo, tem direito a sê-lo inteiramente até ao fim. Terra de sol maduro, redonda terra de cavalos e maçãs, terra generosa, agora atormentada no próprio coração; terra onde teu pai e tua mãe amaram para que fosses o pulsar da vida, tornada inferno vivo onde nos vão encurralando o medo, a ambição, a estupidez, se não for demência apenas a razão; terra inocente, terra atraiçoada, em que nem sequer é já possível pousar num rio os olhos de alegria, e partilhar o pão, ou a palavra; terra onde o ódio a tanta e tão vil besta fardada é tudo o que nos resta; abutres e chacais que do saber fizeram comércio tão contrário à natureza que só crimes e crimes e crimes pariam.

Que faremos nós, filho, para que a vida seja mais que a cegueira e cobardia?"

Eugénio de Andrade


Luís Dourdil Museus
Ano: 1979
Museu Calouste Gulbenkian
Tipo: Pintura a óleo sobre tela
Dimensões: 
© All rights reserved
CAMJAP - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
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" Sim – digo-te, pousando as mãos nos teus joelhos: - Desejo encontrar alguém que
me ame com bondade, e saiba ler.
-Alguém que queira ressuscitar para ti?
- Sim, alguém que tenha para comigo essa memória.
Alguém que deixe espaços entre as palavras para evitar que a última se agarre à
próxima que vou escrever
Alguém que admita que a cartografia dos animais e da pontuação não está ainda
estabelecida
Alguém que eu possa ler diferentemente depois de me ler
Alguém que dirá aos animais e às plantas que nem sempre serão servos
Alguém que ao nos amarmos se reconheça de matéria estelar"

Maria Gabriela Llansol

Luís Dourdill  Museus
Fundação Calouste Gulbenkian 
Ano: 1974
Tipo: Pintura a óleo sobre tela

© All rights reserved
CAMJAP - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão- 




Luís Dourdil Museus
Ano: 1974
Museu Calouste Gulbenkian
Tipo: Pintura a óleo sobre tela
© All rights reserved

CAMJAP - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

12 obras do pintor  em acervo

© All rights reserved
http://cam.gulbenkian.pt/CAM/pt/Colecao/Autores

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"A ARTE ; O ÚNICO LUGAR DA NOSSA REDENÇÃO" VERGÍLIO FERREIRA





Atelier de Luis Dourdil


" A arte deve unir todo o conhecimento,é certo,a um trabalho criador que defina o estilo do artista e a sua personalidade
É isto que tem feito Luís Dourdil, unir todo o seu conhecimento técnico e outros, a uma criatividade em que todo o seu íntimo deseja encontrar uma dimensão própria, sem excluir toda uma tradição cultural objectiva,adiantada às experiências de vanguarda, como se pode bem analisar nesta sua excelente exposição"

Mário de Oliveira in O País 13 de Maio de 1982


" Fase dos Jovens "



(...) Durante os anos cinquenta ,os artistas modernos portugueses concentravam a sua meditação no confronto de duas concepções pictóricas: a figurativa e a abstracta
Havia os radicais ,a favor de uma ou outra concepção, e havia os que procuravam sínteses.
A novidade estava na arte abstracta.
Mas os mais velhos e os mais informados não podiam esquecer que os pintores naturalistas eram bastante mais dotados e que o Naturalismo permanecia no gosto dominante da sociedade portuguesa.
A vontade de aproveitar o máximo de ambas as concepções,figurativa e abstracta acompanhava a vontade de aproveitar o máximo de todas as artes.

Luís Dourdil foi realizando, lentamente, com segurança uma obra de grande unidade estilística,passando de um realismo minucioso de "Homens de Fogo"(1942) a uma figuração abstractizante.

Rui Mário Gonçalves

" Fase dos Jovens "