segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"A ARTE ; O ÚNICO LUGAR DA NOSSA REDENÇÃO" VERGÍLIO FERREIRA





Atelier de Luis Dourdil


" A arte deve unir todo o conhecimento,é certo,a um trabalho criador que defina o estilo do artista e a sua personalidade
É isto que tem feito Luís Dourdil, unir todo o seu conhecimento técnico e outros, a uma criatividade em que todo o seu íntimo deseja encontrar uma dimensão própria, sem excluir toda uma tradição cultural objectiva,adiantada às experiências de vanguarda, como se pode bem analisar nesta sua excelente exposição"

Mário de Oliveira in O País 13 de Maio de 1982


" Fase dos Jovens "



(...) Durante os anos cinquenta ,os artistas modernos portugueses concentravam a sua meditação no confronto de duas concepções pictóricas: a figurativa e a abstracta
Havia os radicais ,a favor de uma ou outra concepção, e havia os que procuravam sínteses.
A novidade estava na arte abstracta.
Mas os mais velhos e os mais informados não podiam esquecer que os pintores naturalistas eram bastante mais dotados e que o Naturalismo permanecia no gosto dominante da sociedade portuguesa.
A vontade de aproveitar o máximo de ambas as concepções,figurativa e abstracta acompanhava a vontade de aproveitar o máximo de todas as artes.

Luís Dourdil foi realizando, lentamente, com segurança uma obra de grande unidade estilística,passando de um realismo minucioso de "Homens de Fogo"(1942) a uma figuração abstractizante.

Rui Mário Gonçalves

" Fase dos Jovens "



domingo, 18 de setembro de 2016

José-Augusto França in A História da Arte em Portugal no Século XX 1911-1961




"O marco inicial do Modernismo em Portugal foi a publicação da revista Orpheu, em1915, influenciada pelas grandes correntes estéticas europeias, como o Futurismo, o Expressionismo, etc., reunindo Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros, entre outros.

I Geração de Paris -fonte  https://pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo_em_Portugal
Ocorreu com o regresso à pátria de artistas como Dórdio Gomes e Santa-Rita Pintor. Seguiram-se os do 2º grupo modernista (cerca de 1914). Este segundo grupo era constituído pelos artistas que regressaram de Paris com a eclosão da Grande Guerra (Diogo de Macedo, Eduardo Viana, Amadeo de Souza-Cardoso). Estiveram ligados à geração d’Orpheu.

Até à morte de Santa-Rita Pintor e de Amadeo de Souza-Cardoso (vítimas da pneumonia em 1918), a renovação da pintura portuguesa centrou-se nestes artistas e ainda nos grupos ligados ao Orpheu. O mais notável representante desta geração foi Amadeo de Souza-Cardoso, que, inicialmente influenciado por Cézanne, evoluiu para um cubismo misturado com todas as tendências com que contactou.
II Geração de Paris
Foi constituída pelos artistas portugueses que regressaram a Paris depois da guerra (devido à ausência de público em Portugal), nos anos 20, e em que se destacaram Dórdio Gomes, Abel Manta, Mário Eloy, Diogo de Macedo, os irmãos Franco e Almada Negreiros, entre outros.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Almada_Negreiros
Fizeram diversas exposições divulgando a nova estética internacional. A arte foi muito prejudicada a partir de 1935 com as limitações impostas pela censura e pelo Secretariado de Propaganda Nacional, que organizava as mostras, promovia os artistas, impunha temas e estética e levou ao exílio de muitos. As décadas de 1930 e 1940 foram marcadas pela propaganda do regime salazarista com a Exposição do Mundo Português. António Ferro, homem do governo de Salazar mas inteligente e moderno, chamou diversos artistas para o trabalho com o Estado na preparação da Exposição (1940) que envolveu diversos projectos arquitectónicos e artísticos e desenvolveu um estilo de cariz nacionalista.

A partir dos anos 30 destacou-se Maria Helena Vieira da Silva________________________link
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Helena_Vieira_da_Silva pintora radicada em Paris que se tornou um dos expoentes do abstraccionismo. Ali realizou a sua primeira exposição individual (A Rua à Noite; Atelier, Lisbonne e A Guerra). Embora tenha sido pouco reconhecida em Portugal e a sua arte tivesse estado mais ligada aos movimento internacionais que ao movimento artístico português, não deixou de reflectir nas suas telas, num quadriculado que evocou os azulejos portugueses, as referências ao seu país."
fonte Link________________________________ 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo_em_Portugal
A «Primeira Geração»
os Pintores, Soares e Barradas, Dordio, Manta, Franco, Diogo Canto da Maia, Emmerico Nunes. Stuart Carvalhais. Dordio Gomes e Abel Manta. Manuel Bentese Francisco Smith. Armando de Bastos e Manuel Jardim. Mily Possoy. António Carneiro. Sousa Lopes, Joaquim Lopes. Henrique Franco, Francisco Franco, Diogo de Macedo, Delfim Maya, Maximiniano Alves e António de Azevedo.”
José-Augusto França in A História da Arte em Portugal no Século XX 1911-1961
Bendito seja o fruto do teu ventre, 1922
 Canto da Maia







Auto-retrato, c. 1939,
Abel Manta






Dórdio Gomes auto-retrato



Capa de revista Stuart de Carvalhais





“A «Segunda Geração»: 

 Pintores, Eloy, Júlio Alvarez, Botelho Bernardo Marques. Sara Afonso. Ofélia Marques. José Tagarro. Lino António. Augusto Gomes. Tomás de Melo –Tom. Estrela Faria, Magalhães Filho,Manuel Lapa e Frederico George Luís Dourdil 
Luciano Santos. Maria Keil, Martins Correia ,Guilherme Camarinha e a tapeçaria. António Lino e o mosaico. Paulo Ferreira. Júlio Santos. Guilherme Filipe, Carlos Carneiro, Eduardo Malta e outros. João 
Carlos. Roberto Nobre. Arlindo Vicente. José de Lemos. Hansi Staël e os estrangeiros.
José-Augusto França in A História da Arte em Portugal no Século XX 1911-1961



Herdeiro das correntes cuboexpressionistas, Luis Dourdil adaptou-as à sua obra aproveitando as lições de Villon no que respeita à arquitectura do espaço, na atenção às verticais, nos planos frontais onde se insere a figura humana mas conferindo-lhe uma sensibilidade que resulta num jogo subtil de transparências definidor de espaços, servindo, simultaneamente, uma pessoal procura de luminosidades.

Escultura de Martins Correia sobre parede de cerâmica de Jorge Barradas

A «Terceira Geração»: Figurativos e Abstractos. Definição da «Terceira
Geração». 










Os pintores figurativos: Júlio Resende, João Hogan, Sá
Nogueira,Nikias Skapinakis, Alice Jorge e José Júlio. 




                               Nikias Skapinakis


Escolares do Porto e de Lisboa. Desenhadores e gráficos: João Abel Manta e Sebastião Rodrigues. 
Os abstractos: precursores e acolhimento crítico. Nas «Exposições Independentes» e
nas exposições surrealistas de 1949 a 1952. A exposição de Edgar Pillet, 1953.
Salão de Arte Abstracta, 1954. Críticas e Polémicas. Fernando Lanhas. Nadir
Afonso. Jorge de Oliveira e Joaquim Rodrigo. Vespeira, Fernando de Azevedo e
Fernando Lemos. Artur Bual e D’Assumpção. António Areal e outros. 
Manuel Trindade D’Assumpção 1926 - 1969 obra de 1958




O grupo«KWY» em Paris e a sua exposição em Lisboa, 1960.
A nova figuração, em 1961:
Joaquim Rodrigo e Paula Rego. Os escultores: Lagoa 
Henriques e Gustavo
Bastos. Vasco P. da Conceição. Arlindo Rocha. 
Aureliano Lima e outros. João
Cutileiro. Jorge Vieira. Manuel Cargaleiro e os 
ceramistas.


José-Augusto França in A História da Arte em Portugal no Século XX 1911-1961

José- Augusto França
Ficcionista, ensaísta e crítico de arte, nascido em 1922, em Tomar, diplomado pela École d'Hautes Études de Paris e doutorado pela Sorbonne, é membro de academias de artes e cultura em Portugal e em França. Dedicando-se especialmente à investigação e ao ensaísmo, dirigiu o Departamento de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa. Foi presidente do ex-Instituto de Cultura e Língua Portuguesa e da Academia de Belas-Artes e diretor do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, em Paris. 
Fonte infopédia 
Enquanto teórico e divulgador, pertenceu ao Grupo Surrealista de Lisboa, de que fizeram parte, entre outros, Mário Cesariny de Vasconcelos e Alexandre O'Neill. Colaborou, com artigos de crítica de arte e cinema, em inúmeras revistas e jornais literários portugueses e estrangeiros, destacando-se, no último caso: Art d'Aujourd'hui e Cahiers du Cinema e foi diretor de Unicórnio e codiretor de Cadernos do Meio-Dia. 
Destacam-se na sua obra: Natureza Morta, Despedida Breve (ficção); Azazel (teatro); e no ensaio: Charles Chaplin, o "Self Made Myth", Almada Negreiros, o Mestre sem Obra, O Romantismo em Portugal e O Modernismo na Arte Portuguesa.

sábado, 17 de setembro de 2016

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 22 - Naturalismo e outras tendências em Portugal




Silva Porto - Ceifeiras (1893)
Link:
http://campodaforca.blogspot.pt/2014/12/historia-da-pintura-do-seculo-xx-22.html



PORTUGAL: NATURALISMO E OUTRAS TENDÊNCIAS

Em Portugal, o Naturalismo é o movimento dominante no último terço do séc. XIX e nas duas primeiras décadas do séc. XX, ocupando grande parte do espaço que noutros países é partilhado por vários movimentos. Mesmo depois de implantadas as tendências vanguardistas, continuará a ter uma importância significativa. 
José Malhoa - Bêbados (ou Festejando o S. Martinho), 1907


O Realismo, o Simbolismo e o Impressionismo foram pouco relevantes no panorama da pintura portuguesa, embora tenham influenciado os pintores naturalistas. A Arte Nova teve uma presença notável nas primeiras décadas do séc. XX, sobretudo nas artes aplicadas e decorativas.
O Naturalismo surgiu de forma pacífica.


Columbano Bordalo Pinheiro - Antero de Quental (1889)




Aurélia de Sousa - Mulher a coser 

António Carneiro - A vida (1901)

A última geração de pintores românticos aproximou-se da estética e da temática naturalista, enquanto vários dos seus discípulos viajaram por Itália e França, onde absorveram influências deste movimento.
Em Portugal, o Naturalismo caracteriza-se pelo registo de actividades rurais e domésticas, paisagens, convívios entre familiares e amigos, retratos, procissões religiosas, etc. Alguns pintores praticam também pintura histórica.
Neste movimento, merece especial referência o Grupo do Leão. Dele fizeram parte cerca de duas dezenas de pintores e intelectuais, que promoveram tertúlias e exposições com um impacto considerável no panorama artístico nacional.

Rafael Bordalo Pinheiro - Eça de Queirós (1890)


Pintores referidos na sessão:
 Silva Porto
 José Malhoa
 Columbano Bordalo Pinheiro
 Marques de Oliveira
 António Ramalho
 Henrique Pousão
 João Vaz
 Aurélia de Souza
 Falcão Trigoso
 António Carneiro
 Rafael Bordalo Pinheiro

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX Tendências Recentes em Portugal

Pedro Chorão - S/título

25 - PORTUGAL: Tendências Recentes

Consideram-se Tendências Recentes as que se manifestam dos anos 60 em diante, correspondendo em grande parte ao período do pós 25 de Abril.

Alguns pintores figurativos dão continuidade a movimentos marcantes nas décadas anteriores, como o Surrealismo, o Gestualismo e o Abstracionismo; outros surgem com figurações sintéticas, sob influências dadaístas ou étnicas.

Na tendência abstracta podemos observar as vertentes geométrica, lírica, matérica e gestual, as últimas influenciadas pelo Informalismo e pelo Expressionismo Abstracto.

Vários dos pintores mais velhos fizeram parte significativa do seu percurso nas décadas anteriores, assim como parte dos pintores do Segundo Modernismo estenderam a sua produção até tempos recentes. Alguns apresentam-se fiéis a uma linha, outros têm abordagens muito eclécticas.

Pintores referidos na sessão:
Lima de Freitas 
António Costa Pinheiro
Júlio Pomar 
Gil Teixeira Lopes
Menez 
Eduardo Nery
Artur Bual 
Álvaro Lapa
Manuel Cargaleiro 
José de Guimarães
António Charrua 
Jorge Martins
Carlos Calvet
 Noronha da Costa
Lourdes Castro 
Luís Pinto-Coelho
Eurico Gonçalves 
Eduardo Batarda
Maluda 
Pedro Chorão
João RodriguesVieira
António Palolo
René Bértholo 
Graça Morais
Paula Rego
Julião Sarmento
Ângelo de Sousa
Vítor Pomar
Armando Alves
 Mário Botas

Jorge Pinheiro






Artur Bual - Natércia Correia



Eduardo Batarda Cena canalha

Paula Rego - A irmã do polícia

Álvaro Lapa -S/título






Gil Teixeira Lopes - Dizer Íntimo



HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX

24 - Segundo Modernismo em Portugal

O Segundo Modernismo corresponde ao período de apogeu e declínio do regime de Salazar, centrando-se nos anos 40, 50 e 60. Nessas décadas são mais marcantes as influências do Surrealismo, do Neo-Realismo e do Abstraccionismo, sendo também de realçar as do Expressionismo e Gestualismo.
Com a colaboração de grandes arquitectos e escultores, as obras e monumentos públicos ganham uma grande relevância, sobretudo nas áreas do Urbanismo, Arquitectura e Escultura. Contudo, o Estado Novo apresenta um Modernismo contido, de um modo geral limitado a uma estética marcadamente nacionalista e saudosista.
Os pintores trabalham com um grau de liberdade bem maior do que escultores e arquitectos. Assim sendo, vários aproveitam também para expressar críticas ao regime, muitas vezes de forma velada, de modo a contornar a censura. Na ilustração oficial continua a tendência popular, agora de cariz nacionalista e propagandístico; mas uma outra se impõe, assumindo uma estética neorrealista, marcadamente antifascista.

Pintores referidos na sessão:
 António Pedro
António Dacosta
Fernando de Azevedo
Marcelino Vespeira
Cândido Costa Pinto
Cruzeiro Seixas
Manuel Ribeiro de Pavia
Domingos Camarinha
Rogério Ribeiro
Vieira da Silva
João Hogan
Luís Dourdil
Joaquim Rodrigo
Júlio Resende
Nadir Afonso
Fernando Lanhas
Carlos Botelho
Henrique Medina
Maria Keil

Querubim Lapa




Vieira da Silva - O Jogo de Xadrez (1943)



Maria Keil - Painel de Azulejos "O Mar" (1958-59)

Manuel Ribeiro de Pavia - Apanha da Azeitona
Cruzeiro Seixas - A Chávena com Asa por Dentro (2001)

Júlio Resende - Homem a Cavalo (1950)
Luis Dourdil -Fase dos jovens

HSTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX

 23 - Primeiro Modernismo em Portugal

PORTUGAL: PRIMEIRO MODERNISMO

Designa-se por Primeiro Modernismo as tendências vanguardistas das décadas de 10, 20 e 30 do séc. XX. Esse período corresponde à Primeira República e à implantação do regime do Estado Novo que, no início, se apresentou permeável aos ventos da modernidade.
O movimento mais decisivo na introdução do Modernismo em Portugal foi o Futurismo, sendo também relevantes o Cubismo e o Expressionismo, A ida de pintores para Paris, nos primeiros anos do séc. XX, é decisiva para a implantação do Modernismo em Portugal. Desse grupo de pioneiros destacam-se Amadeo de Sousa Cardoso, Santa Rita e Eduardo Viana.
A caricatura e a ilustração de livros, jornais e revistas marcam uma presença importante, revelando duas tendências: uma que se cola a uma estética de contornos populares; outra marcadamente influenciada pela Art Deco.

Pintores referidos na sessão:

 Amadeo de Sousa Cardoso

 Guilherme de Santa Rita

 Eduardo Viana

 Dórdio Gomes

 José de Almada Negreiros

Abel Manta

 Júlio Reis Pereira

 Mário Eloy

 Stuart Carvalhais

 Jorge Barradas

 Emmérico Nunes

 Bernardo Marques







Guilherme de Santa Rita - Cabeça (c.1910)









LINK:_____________
http://campodaforca.blogspot.pt/2014/12/historia-da-pintura-do-seculo-xx-23.html


Eduardo Viana - K4, Quadrado azul (1916)

Dórdio Gomes - Banhistas no Douro (1928)

Ilustração, uma arte narrativa - LUIS DOURDIL


Uma ilustração é uma imagem pictórica, geralmente figurativa (representando algo material), embora algumas raras vezes também abstracta, utilizada para acompanhar, explicar, acrescentar informação, sintetizar ou até simplesmente decorar um texto. Embora o termo seja usado frequentemente para se referir a desenhos, pinturas ou colagens, uma fotografia também é uma ilustração. Além disso, a ilustração é um dos elementos mais importantes do design gráfico. 













Ilustrações de Luís Dourdil tinta da china ano de 1949 
"Uma Caçada Medieval"
conto de Eurico de Pimentel Teixeira -Revista Turismo nº 86 Outubro e Novembro de 1949.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016



Luis Dourdi nasceu em Coimbra. Autodidacta viajou por Espanha França e  Itália como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, onde estudou "Pintura dos Mestres Italianos e a sua integração na arquitectura"
Paralelamente ao seu trabalho como artista gráfico , foi realizando lentamente uma obra de grande unidade estilística, passando do realismo minucioso de "Homens do Fogo"(1942) 


a uma figuração abstractizante característica  da pesquisa dominante entre pintores modernos portugueses dos anos 50.

O seu quadro "Peixeira sentada"  é uma das suas obras mais conhecidas, assim como as pinturas murais do Café Império.
Durante os 40 e 50, portanto, Dourdil representa figuras populares em composições que devem muito às teorias de André Lhote e ao exemplo de Jacques Villon, com a sua pintura de planos transparentes.Mas a estes pintores deve acrescentar-se a emoção provocada pela obra do escultor Henry Moore, com o seu testemunho da grandeza humana e o seu sentido de monumentalidade.A figura humana é o pretexto de todas as composições de Luis Dourdil, de picturalidade serena e sensível, respeitadora da superfície e do suporte. Os espaços cheios e os vazios são tratados com igual cuidado ; a cor apresenta-se em planos paralelos ao plano da tela, escalonando-se em profundidade, num rigor de organização visual que a torna mais complexa e melhor adaptada às inflexões da sua sensibilidade, no jogo subtil de transparências que se equilibra com a procura de luminosidade.
Em 1963, uma pintura decorativa constitui uma declarada homenagem a Jaques Villon:" Operação Cirurgica

é talvez a pintura mais geometrizada e de cromatismo mais violento.Mas essa sentida homenagem constituiu também uma despedida, passando Dourdil a praticar um desenho menos predeterminado.

Óleo s/tela 119 X 118 - do ano de 1966 da Colecção de arte do Grupo Totta.
© Todos os direitos reservados
Óleo s/tela 115 X 145 do ano de 1966 da Colecção de arte do Grupo Totta.
© Todos os direitos reservados

Pinturas e texto de Rui Mário Gonçalves in "Os Edifícios a Colecção Os Artistas Grupo Totta ano de 2002

Óleo s/tela 115 X 145 do ano de 1966 da Colecção de arte do Grupo Totta.
© Todos os direitos reservados

Linhas sensíveis revelam o diálogo entre a mão e o olhar do pintor, na construção de um espaço que é sempre entendido através da sugestão da figura humana, em desenhos que valem por si mesmos, ou em pinturas de harmónicos valores luminosos."
Gonçalves Rui Mário em 100 PINTORES PORTUGUESES DO SEC. XX Edições Alfa Lisboa 1986