segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Pintura Portuguesa

“...se antes de cada ato nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nosso ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprova-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala.”
Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago






Óleo s/Tela 100 X 120 1969 Col/Banco de Portugal Luís Dourdil --© All rights reserved

Óleo s/Tela ano 1980 - 88 X 112 de Luís Dourdil colecção particular © All rights reserved 


"O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência do nosso próprio mérito para os outros.
Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser — pois tal é a natureza humana — vaidoso sem ser orgulhoso.
É difícil à primeira vista compreender como podemos ter consciência da evidência do nosso mérito para os outros, sem a consciência do nosso próprio mérito.
Se a natureza humana fosse racional, não haveria explicação alguma.
Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito.
O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a vaidade em acção."

Fernando Pessoa, in "Da Literatura Europeia"

Luis Dourdil Memórias e registos



Seminario “A pintura mural em Luís Dourdil” de la Sección de Estudios do Patrimonio de la Sociedade de Geografía de Lisboa (Portugal)
 El Honorable Sr. D. Vitor Escudero de Campos, Caballero Honorario y Canciller del Capítulo de La Casa Troncal de los Doce Linajes de Soria en Portugal, nos remite esta noticia que publicamos

TEMOS DE FILTRAR A REALIDADE   Auditório Adriano Moreira 19 de Maio de 2015


Sociedade de Geografia de Lisboa

;http://www.socgeografialisboa.pt/?m=201505&cat=62
Auditório Adriano Moreira 19 de Maio de 2015





Maria Teresa Bispo (DPC-CML) e Luis Fernando Dourdil, filho do pintor.


Breve abordagem das memórias pessoais que acumularam informação sobre as vivências relacionais e criativas de Luís Dourdil. O testemunho concretiza-se através do tempo, também filtrado ora pelo olhar da criança, ora do jovem, ora do adulto em que me tornei. Filtrar a realidade para meu pai elaborava um instrumento de criação, no meu caso apenas um depoimento que substancie um contributo para o melhor entendimento da obra e da vida de um artista que nos deixou um legado considerável.





UM RETRATO INTIMISTA

NUMA BREVE EVOCAÇÃO DO PINTOR LUÍS DOURDIL, MEU PAI

Como se compreende não me é fácil falar do meu pai como pintor. Não sou crítico de arte nem pintor, nem tenho formação académica sobre Arte. Apenas possuo, isso sim o contacto diário com a sua pintura, bem como as visitas a ateliers de pintores seus amigos e nos olhos as imensas exposições de pintura que sempre acompanhei ao longo da vida.

Sempre que podia acompanhava-o nessas idas e tentava absorver o máximo das suas considerações e de outros pintores sobre os trabalhos expostos; pinturas, desenhos e esculturas. Cresci neste meio, apaixonado pelas várias manifestações de arte e aprendi muito com o meu pai e outros da sua geração. Hogan, Martins Correia, Bual, Lagoa Henriques, Marcelino Vespeira, Sá Nogueira, designadamente. Ainda muito novo frequentava com o meu pai a Brasileira do Chiado e ficava deslumbrado a ouvi-los falar.

Assim a minha abordagem, não obstante, é necessariamente mais de natureza intimista e menos técnica. Com sete anos de idade, pela mão da minha mãe Olinda, ia ver o meu pai pintar, o Mural no Café Império. 





Com essa idade pequenita, tudo para mim era de uma dimensão acrescida, gigantesca. Os anos foram passando e ainda que ele nunca tivesse gostado de que o vissem trabalhar, eu espreitava de longe, curioso, os seus gestos criativos. 




Recordo com saudade o primeiro atelier do meu pai na Av. de Madrid, perto da Av. De Roma, que ele dividia com um grande amigo, António Fernando dos Santos "Tóssan".


https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Fernando_dos_Santos_(T%C3%B3ssan)

Mudou-se depois para um atelier, junto do Palácio do Coruchéus, tendo como vizinhos, entre outros, os pintores Manuel Lima, Victor Belém e Arlindo Vicente, o qual para além de ilustre advogado, foi igualmente um pintor talentoso.
Aqui se manteve até ao seu falecimento no dia 29 de Setembro de 1989.



Porém, para que conste, devo dizer que ainda solteiro teve o seu primeiro atelier, na Rua da Fé, freguesia de S. José em Lisboa, espaço que dividia (a meias) com um seu amigo de sempre, o Martins Correia escultor; admiração mútua que se manteve ao longo das respectivas carreiras. Um dia o meu pai confidenciou-me que se o Martins Correia “tivesse nascido em Itália teria sido um Marini”.
Por volta dos meus dez anos, aos fins-de-semana, era-me muito grato acompanhá-lo à lota da Ribeira e vê-lo desenhar as gentes do povo, as varinas e as suas canastras, peixeiras e peixeiros, as bancas, toda aquela azáfama tumultuosa chapinhada de água turva, na musicalidade gritada de sons e pregões. E, estas cenas da lota, das quais tomava apontamentos escritos e desenhados, eram então transportados para largas folhas de papel e amplas telas através da memória, no silêncio do seu atelier.



Crayon S/ Papel 80 X 57" Varinas de Lisboa" de Luís Dourdil Colecção C.M.L.

Voltando, porém à memória do Café Império cujo restauro celebramos, não posso deixar de transcrever o que sobre ele escreveu o Prof, Rocha de Sousa – o crítico, o pintor e o analista arguto que, de há muitos anos a esta parte tem sido um estudioso da obra do meu pai:






(…)

desde logo a lógica da pintura parietal que Dourdil realizou para a decoração do Café Império, tempera a gema de ovo, é além de uma obra ímpar naquele género de forma plástica integrada, a peça paradigmática de formas e de ser do autor.




Ali podemos debater a eficácia de quem sabe entrosar subtilmente o poder estruturante, a representação em metamorfose e transparência, a natureza das matérias e dos matérias, o sentido cénico, a contenção e a sensibilidade, a exigência paciente da tecnologia e das técnicas. Tudo isto informou e reformou todas obras murais de Dourdil e a sua obra pictórica em geral: no fundo, ele partia sempre de pretextos ( ou materiais) que a realidade urbana lhe oferecia e de uma escrita que era simultaneamente suporte estrutural e já morfologia dinâmica. Não se pode dizer que estivesse assim procurando construir, com uma representação fragmentada, propostas plásticas de mensagem dirigida, de cunho denunciador quer ao tempo, do neo- realismo, quer na época sectária da luta entre figurativos e abstractos. Ele sempre soube que a validade última da obra de arte não se podia procurar nos temas, nos assuntos, ou no sentido óbvio da mensagem figurativa. Sabia que uma pintura é, antes de qualquer outra coisa, essencialmente pintura. (…)

Rocha de Sousa, O Sentido do Drama em Luís Dourdil, Rev. de Artes Plásticas, Ano 1, Número 1, Julho 1990, fls 14.








Assim, chegados ao dia de hoje defino o meu pai como um homem delicado cortês e discreto que tinha uma forma de estar na vida muito própria dele enquanto pintor e intelectual. Foi um autodidacta que estudou profundamente a pintura. Para além do dom inato que tinha estudou muito a figura humana e os tratados acerca da mesma.

Como homem e como pintor era um ser sensível e observador. De repente parava na rua e debruçava-se para apanhar uma folha seca – recordo-me que era dessas que gostava mais pela vibração do colorido que podiam ter – e dizia-me: - Olha Luís que bonita a associação de cores que a natureza criou nesta folha! - Era um homem que se prendia à cor, embora tivesse o desenho como matriz da sua pintura.

O meu pai era um sentimental sóbrio, foi um excelente pai. Hoje tenho a certeza que foi um dos maiores pintores do século XX.

Luís Fernando Dourdil

domingo, 20 de agosto de 2017

A Brasileira e a Arte em memórias e registos.


Colectiva de Artes plásticas


"OS AMANTES DO CHIADO/BRASILEIRA"

" A Tertúlia das 10 horas"
Albertina Mântua, Almada José de Almada Negreiros, Antonio Carmo, Artur Bual, Boavida Amaro, Carlos Soares, Cargaleiro, Clara de Ovar, Costa Camelo, Cristina Maldonado, Cruzeiro Seixas, Luís Dourdil, Francisco Relógio, Gordillo, Guilherme Parente, João Manuel Navarro Hogan, Julio Pereira, Lagoa Henriques, Luis Lobato, Luis Ralha, Lurdes Robalo, Nuno Siqueira, Sá Nogueira, Sérgio Pombo, Teresa Magalhães, Vespeira e Virgilio Domingues.







A Brasileira do Chiado, casa de comércio de cafés importados do Brasil, foi fundada por Adriano Soares Teles do Vale em 1905. Inicialmente apenas dedicada à venda a retalho, a Brasileira inaugurou a sala de café no ano de 1908, oferecendo aos lisboetas um espaço social que rapidamente se tornou num dos mais importantes centros culturais da cidade.
Em 1922 a firma A Brasileira, Lda. requeria à Câmara Municipal autorização para "transformar a fachada actual do seu estabelecimento".

Edifício na Rua Garrett, onde se encontra instalado o café A Brasileira, também denominado «Brasileira do Chiado», (...) - Frontão da entrada do café.
LINK;

 O projecto da emblemática fachada deve-se ao risco do arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior, considerado "o mais famoso dos arquitectos de Lisboa" de então (França: 1992, p. 156). O modelo do café lisboeta, luxuoso e ao gosto parisiense, tem a marca distintiva do seu autor, presente nas estátuas que guardam a entrada do espaço, nas elegantes grinaldas que substituem estruturas arquitectónicas, nas características máscaras ou no cuidado trabalho de ferro forjado. Quando da intervenção os jovens artistas que então frequentavam as tertúlias do café pintaram um conjunto de telas que passaram a decorar o espaço. Entre estas estavam obras de Jorge Barradas, Stuart Carvalhais, Eduardo Viana e Almada Negreiros, que foram substituídas nos anos 70 pelas que hoje ocupam o interior. 
O edifício d' A Brasileira foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1997 devido ao programa arquitectónico exterior e ao importante lugar simbólico que o espaço ocupa na história cultural e social da cidade de Lisboa.
Catarina Oliveira
(Coord. Deolinda Folgado)
DGPC, 2015




A Brasileira em 1911, foto de Joshua Benoliel.



A Brasileira e a Arte
[código-fonte] ;

Estátua de Fernando Pessoa de Lagoa Henriques, no exterior 
d'A Brasileira.
Com as liberdades de reunião e associação após a Implantação da República Portuguesa, em 5 de Outubro de 1910, e a instalação do Directório Republicano no Largo de São Carlos (entretanto rebaptizado Largo do Directório, precisamente no 1.º andar do edifício onde nasceu Fernando Pessoa), A Brazileira tornou-se um dos cafés mais concorridos de Lisboa devido à sua proximidade.
A partir dessa época, A Brazileira foi o cenário de inúmeras tertúlias intelectuais, artísticas e literárias. Por lá, passaram os escritores e artistas, reunidos em torno da figura do poeta-general Henrique Rosa (tio adoptivo de Fernando Pessoa), que viriam a fundar a Revista Orpheu.
Em 1925, A Brazileira passa a expor onze telas de sete pintores portugueses da nova geração, que então frequentavam o café, selecionados por José Pacheko: Almada Negreiros, António Soares, Eduardo Viana, Jorge Barradas (com dois quadros cada), Bernardo Marques, Stuart Carvalhais e o próprio José Pacheko [3].
Este "museu" foi renovado em 1971, com onze novas telas de pintores da época: António Palolo, Carlos Calvet, Eduardo Nery, Fernando Azevedo, João Hogan, João Vieira, Joaquim Rodrigo, Manuel Baptista, Nikias Skapinakis, Noronha da Costa, e Vespeira.

Com toda a importância que teve na vida cultural do país, A Brazileira do Chiado mantém uma identidade muito própria, quer pela especificidade da sua decoração, quer pela simbologia que representa por se encontrar ligada a círculos de intelectuais, escritores e artistas de renome como Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Santa Rita Pintor, José Pacheko ou Abel Manta, entre muitos outros. 
A assiduidade de Fernando Pessoa motivou a inauguração, nos anos 1980, da estátua em bronze da autoria de Lagoa Henriques, que representa o escritor sentado à mesa na esplanada do café.
José de Almada Negreiros
Auto-Retrato num grupo (Pintura decorativa – Café “A Brasileira” do Chiado)
As quatro figuras representadas neste quadro estão identificadas (da esquerda para a direita): Almada Negreiros, a bailarina e actriz espanhola Júlia de Aguilar, a actriz Aurora Gil, e o Prof. Dória Nazaré. Algumas das obras destinadas à Brasileira, e esta nomeadamente, haviam sido expostas no I Salão de Outono em Janeiro de 1925. Embora mal recebidos pela maior parte da crítica e dos frequentadores da Brasileira, os novos quadros transformam o café na única «galeria» modernista então possível na capital portuguesa.



José de Almada Negreiros  CAM Gulbenkian
Auto-Retrato num grupo (Pintura decorativa – Café “A Brasileira” do Chiado)
Link:
https://gulbenkian.pt/museu/collection-item/auto-retrato-num-grupo-pintura-decorativa-cafe-a-brasileira-do-chiado-138998/

As quatro figuras representadas neste quadro estão identificadas (da esquerda para a direita): Almada Negreiros, a bailarina e actriz espanhola Júlia de Aguilar, a actriz Aurora Gil, e o Prof. Dória Nazaré. Algumas das obras destinadas à Brasileira, e esta nomeadamente, haviam sido expostas no I Salão de Outono em Janeiro de 1925. Embora mal recebidos pela maior parte da crítica e dos frequentadores da Brasileira, os novos quadros transformam o café na única «galeria» modernista então possível na capital portuguesa.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

“Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte.” Pablo Picasso.



O Café Império
Um restaurante Inaugurado em 1955, o Café Império é um espaço projectado por Cassiano Branco e qualificado como Património Arquitectónico, pela Direcção Geral do Património Cultural.
 Aí pode apreciar o maravilhoso painel de Luís Dourdil, recentemente restaurado, além das obras de Martins Correia e de Jorge Barradas
Av. Almirante Reis, 205 A
Lisboa


Fotografia de Ana Luísa Alvim | CML 

Com uma área de 48m2, o mural é uma monumental obra decorativa executada a têmpera, no ano de 1955. Representa uma série de “conversações” num mesmo plano, revelando um notável sentido de composição e de ritmo, aliando, num raro equilíbrio, a pura linguagem da cor e um subtil jogo de transparências.
Fotografia de Ana Luísa Alvim | CML 
Tumblr da Câmara Municipal de Lisboa dedicado aos detalhes que constituem a nossa cidade-Veja aqui;


fragmento da pintura mural  foto de Antonieta Figueiredo

" (...) usando têmpera de ovo, Dourdil criou um imenso espaço cénico, nem profundo nem apenas bidimensional, povoado de figuras humanas, ora sentadas ora de pé, em grupos também, na simplificação nivelada então garantida pela perfeição das soluções, dos meios tons, das sombras suaves e das distâncias lumínicas, rectangulares, tudo apreciável em travelling lateral, o lugar ou o labirinto da meia festa daquela gente emblemática, a execução solta e exacta, os valores macios, as arestas mais
pressentidas do que ostentadas, um murmúrio de vida colectiva a mover-se em câmara lenta, sublinhando a ideia sem nomes do grande espaço cénico do café, memória de belas salas de fumo de teatros e cinemas( ...)"
Rocha de Sousa



fragmento da  pintura mural  foto de Antonieta Figueiredo

sábado, 15 de julho de 2017



                                                            Luís Dourdil colecção particular
                                                                © All rights reserved


"Linhas sensíveis revelam o diálogo entre a mão e o olhar do pintor,na construção de um espaço que é sempre entendido através da sugestão da figura humana,em desenhos que valem por si mesmos,ou em pinturas de harmónicos valores luminosos"
 Rui Mário Gonçalves in 100 Pintores Portugueses do Século XX Publ.Alfa 











Desenho

Traça a recta e a curva,
a quebrada e a sinuosa

Tudo é preciso.
De tudo viverás.

Cuida com exactidão da perpendicular
e das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
traçarás perspectivas, projectarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão.
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.

Construirás os labirintos impermanentes
que sucessivamente habitarás.

Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.

E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.

Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais 
Cecília Meireles


Os desenhos de Luís Dourdil dão conta,desde a escolha da 
maleabilidade do carvão,a uma voluntariedade da mão que se deixa embriegar na sequência da linguagem e na passagem de um a outro desenho,numa longa e meditada harmonia sem se deixar cegar pela lucidez duma solução,focaliza a sua atenção na figura humana criando uma "caligrafia muito personalizada",como adjectivou o
 Prof., Rocha de Sousa.







Luís Dourdil ___ Museus
"Homens do Fogo" Desenho estudo a carvão -1 Ano 1942
da Pintura a Oleo museu da eletricidade 

(...)" Tivemos,há poucos dias ocasião de apreciar o trabalho de um moço artista,trata-se de Luís Dourdil,que num golpe de asa conquistou já um relevante lugar como artista.È um artista nato que por isso mesmo,cria arte numa linguagem fluente e fresca,como de quem obedece sem hesitações ao génio.
O seu ultimo trabalho é uma ampla e original tela,vinte metros,para a decoração da entrada dos escritórios da Companhia do Gás,na rua do Crucifixo.
Luís Dourdil que é dotado de uma imaginação criadora - essa invulgar preciosa e profunda chama! - soube construir,quási intuitivamente uma larga e harmoniosa composição,com motivos arquitecturais, figurando certas operações,como o trabalho dos fogueiros,o desenrolamento das bobinas de cabos eléctricos,que embelezam,com a respectiva representação humana..."
http://www.fundacaoedp.pt/cultura/colecao-de-arte-fundacao-edp/artistas-representados/72

7-04-1943 IN Diário Popular Adriano de Gusmão 
http://www.fundacaoedp.pt/cultura/colecao-de-arte-fundacao-edp/artistas-representados/72










"A figura humana foi tratada por Luís Dourdil com másculo poder plástico: os seus operários são construídos num traço de vigorosa síntese, sobriamente manchada a cor,guardando largos espaços luminosos.
O realismo dos seus trabalhadores lembra por vezes o de Meunier ou de Millet, realismo heróico.
O seu desenho é de uma excepcional qualidade tendo em conta as proporções do trabalho...."
07-04-1943 IN Diário Popular . Adriano de Gusmão 




"Nunca fui um paisagista.
Parti sempre da forma real,mas só me interessei de facto pela figura humana.Parece que apenas nela encontro a beleza e a tragédia,ou partes articuláveis de uma nova ordem,um dinamismo interno-a pintura,antes de tudo" 
Luis Dourdil



         
Isna de S. Carlos Beira Baixa, carvão da década de 1930.
© All rights reserved


                       
                                                        Luis Dourdil colecção particular
                                                              © All rights reserved



"O desenho foi a sua matriz ao longo da vida.
O seu desenho tem uma leveza e,ao mesmo tempo uma força que marcam a personalidade do artista ....)
Raul Rego.
© All rights reserved



Luís Dourdil colecção particular
© All rights reserved


                                       Luis Dourdil colecção particular
                                         © All rights reserved






                                     
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"Era um conversador infatigável Luís Dourdil
Pontualíssimo na 
Brasileira" do Chiado,introduzia na conversação um 
tom queiroziano.Gostava de captar o humor das situações.Premiava com uma gargalhada franca a observação bem-achada do interlucutor.Convivia com correcção e alegria" ... Rui Mário Gonçalves



sexta-feira, 14 de julho de 2017

A Intemporalidade na obra de Luis Dourdil


Carvão s/Papel "Isna"  1980   





(...) Recordar, revisitar, repetir de todos os modos, qualquer forma de aceder ao pintor Luís Dourdil, é favorecer a manutenção da memória e da sua identidade plástica; é promover a continuação de estudos e as mais variadas fruições; é trazer para os grandes públicos e disponibilizar um dos artistas do século XX com obra de relevo; é sobretudo combater a finitude da condição humana, contrapondo pertinente a intemporalidade das suas composições plásticas.
E se essa intemporalidade pode de facto contrariar o esquecimento e o ostracismo, que muitas vezes apanha tão desprevenida, quanto indefesa, a obra criada, será pois na ritualização temporal que podemos contrariar esta e outras circunstâncias, num círculo contínuo de construção e reconstrução da identidade da arte e do património e do seu garante memória.
E, se admitirmos que o fundamento do tempo é essa memória, parece pois ser possível considerar que a exaltámos, cumprindo com a homenagem justa e a divulgação substantiva.

Maria Teresa Bispo 

Licenciada em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; Mestre em Arte, Património e Restauro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; 




O desenho foi a sua matriz ao longo da vida.


"O seu desenho tem uma leveza e,ao mesmo tempo uma força que marcam a personalidade do artista"
Raul Rego.



                                                     
                                                  Carvão s/papel  ano de 1982

Memórias de uma vida


Galeria de Exposições Temporárias do Museu Municipal – Edifício Chiado - Setembro/Outubro de 2015.


Exposição Comemorativa do Centenário de Luís Dourdil em Coimbra





Coimbra prestou homenagem ao pintor Luis Dourdil‪ com uma Exposição de Pintura e Desenho no Museu Municipal Edifício Chiado de 12 de Setembro a 11 de Outubro de 2015.
O Museu Municipal de Coimbra Edifício Chiado tutelado pelo Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, é actualmente constituído por dois pólos distribuídos por diferentes edifícios de interesse patrimonial, localizados no centro histórico da cidade, nomeadamente: o Edifício Chiado - Colecção Telo de Morais, a Torre de Almedina - Núcleo da Cidade Muralhada.



Luis Dourdil nasceu em Coimbra, na Rua do Guedes, freguesia da Sé Velha, a 08 de Novembro de 1914 e faleceu em Lisboa em 1989.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Centro de Arte Manuel Brito - CAMB

Colecção Manuel de Brito


O Centro de Arte alberga a Colecção Manuel de Brito. Este riquíssimo acervo, fruto do trabalho, empenho e dedicação de Manuel de Brito e de sua família, constitui um dos mais importantes núcleos da arte portuguesa do século XX, contando já com importantes referências da produção artística mais actual.

Com efeito, este acervo conta com mais de trezentas obras, de alguns dos mais importantes artistas nacionais.


Tendo por base de trabalho as obras protocoladas o Centro tem levado a cabo um programa expositivo assente em núcleos temáticos de carácter temporário que visam dar a conhecer a Colecção partindo de uma abordagem histórica e um programa de actividades conexas de carácter lúdico e educativo no âmbito do projecto de Serviço Educativo e de Animação do CAMB

 Aqui ;http://camb.cm-oeiras.pt/default.aspx?pg=8758d2a6-0c59-43ab-88c8-197297d0d247




Actualizado recentemente291.jpg
                                                       Luís Dourdil Colecção Manuel Brito


Esta colecção foi feita ao longo de 40 anos com a disponibilidade económica possível, procurando dignificar sobretudo os artistas portugueses e ajudar a criar a memória de uma época. A Colecção Manuel de Brito está ligada intrinsecamente ao projecto da Galeria 111.
A Galeria 111 iniciou a sua actividade no dia 3 de Fevereiro de 1964. Quando a pequena sala, com as três paredes revestidas de serapilheira e um banco ao longo da montra, anexa à livraria especializada em livros universitários, abriu as portas as suas perspectivas comerciais eram poucas. Sem museus ou centros institucionais dedicados à arte contemporânea, sem mercado e sem espírito de coleccionismo, as galerias de arte simplesmente não tinham razão de existir, ou, se existiam, a sua vida era muito curta.
Neste ano de 1964, a Pop Art apareceu em força na Bienal de Veneza com Robert Rauschenberg, Jim Dine e Claus Oldenberg. Rauschenberg recebeu o grande prémio da Bienal. Em Kassell a Documenta III abriu com o lema Qualidade, não Quantidade. O centro da arte internacional mudara-se de Paris para Nova Iorque.
E o que se fazia em Portugal nestes tempos de tanta agitação? Vivia-se um clima de grande repressão política, com a juventude a partir para as guerras de África. A contestação universitária mantinha-se depois das greves académicas de 1962. A PIDE estava activa e vigilante. A livraria foi visitada pelos seus agentes regularmente desde a sua abertura em 1959 até Abril de 1974.
Na livraria, ainda antes da galeria abrir, já se mostravam as peças da Rosa Ramalho. Na galeria pretendia-se mostrar as obras de artistas jovens que nunca tinham exposto. No primeiro ano expuseram, pela primeira vez, Joaquim Bravo, Álvaro Lapa, António Palolo, Santa Bárbara e António Sena.
Vivia-se num clima de amadorismo, o catálogo era executado em duplicador e impresso em papel de embrulho. Os quadros não se vendiam. Os coleccionadores desta época eram poucos e só compravam artistas de nome feito, não estando interessados nos jovens talentos. Instituições e museus compradores também não havia.
Muito lentamente vai-se construindo um mercado tendo em conta a cumplicidade entre os artistas e a galeria. Como a galeria está situada junto à Cidade Universitária, por ela passaram centenas de alunos de Letras, Direito e Medicina que de simples observadores, com o passar dos anos, se tornaram compradores.
A galeria, sempre ligada à livraria, só vai atingir o estatuto profissional quando Jorge de Brito se torna o maior coleccionador português. A primeira transacção importante foi a venda dos quadros do Grupo do Leão, pertencentes a Francisco Ramos da Costa, então exilado em Paris. A partir daí realizaram-se inúmeras aquisições de obras de arte portuguesa e estrangeira em todo o mundo. Abriram-se as portas do mercado internacional e a galeria passou a ser conhecida.
A galeria deu apoio à Arte Portuguesa no estrangeiro, não só adquirindo e fazendo entrar no país a produção de artistas nacionais radicados no exterior, como ajudando a difundir a sua obra em galerias e editoras internacionais.
Colaborou activamente na divulgação da arte portuguesa cedendo grande número de obras do seu acervo para as mais importantes exposições realizadas em Portugal e no estrangeiro organizadas pelo Ministério da Cultura, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Fundação Calouste Gulbenkian, Sociedade Nacional de Belas Artes, Museus e Instituições Culturais.
Entre os factos mais importantes a aquisição dos frescos de Almada Negreiros que se encontravam em vias de destruição no Cine San Carlos, em Madrid, e de duas enormes pinturas de Vieira da Silva, a partir das quais se fizeram as tapeçarias para a Universidade de Basileia e que agora se encontram no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.
A partir de 1971 estendeu a sua actividade ao Porto com a fundação da Galeria Zen. Após grandes obras de restauro, reabriu em 1996 com a designação Galeria 111 Porto.
Sempre participou nas principais feiras de Arte, desde a primeira MARCA MADEIRA, em 1987, até à Arte Lisboa de 2006. Em Madrid participou na ARCO desde 1986 e em Paris na FIAC.
Em Macau foram realizadas importantes exposições inicialmente no Museu Luís de Camões a partir de 1981 e depois na galeria de exposições temporárias do Leal Senado – Júlio Pomar, Ana Vidigal, Eduardo Luiz, Paula Rego, Menez, António Dacosta e “Geração XXI”, de 1989 a 2002. Graça Morais expôs em 1990, no Pavilhão do Jardim Lou Lim Ioc, numa iniciativa do Instituto Cultural de Macau. Em Pequim, em 1995, organizou-se a exposição Artistas Portugueses, na Casa do Povo na Cidade Proibida, no âmbito da visita do Presidente Mário Soares à China. Em 2000, realizou-se uma exposição de Júlio Pomar no Centro de Arte Contemporânea de Macau, a convite da Fundação Oriente. Esta exposição foi apresentada também na Galeria Nacional em Pequim, em 2001.
Em Dublin, em 1999, organizou-se a exposição Five Portuguese Women (Menez, Paula Rego, Graça Morais, Ana Vidigal e Fátima Mendonça) na galeria do Guinness Hopstore, quando da visita do Presidente Jorge Sampaio à Irlanda.
Em Espanha organizou-se, em 1989, a exposição Portugal Hoy – 30 Pintores no Centro Cultural Conde Duque em Madrid. Em 1992, Pintura y Grabado Portugueses Contemporáneos na Universidad Hispano Americana Santa Maria de la Rábida, em Huelva e, em 2000, Diez Artistas Portugueses Contemporáneos – Colección Manuel de Brito no Museo de la Ciudad, em Madrid.
Em 1994, no âmbito de Lisboa - Capital Europeia da Cultura foi organizada a exposição Colecção Manuel de Brito – Imagens da Arte Portuguesa do Século XX no Museu do Chiado. Esta exposição foi posteriormente apresentada em 1995 em Macau, na Galeria do Forum, a convite do Leal Senado, no MASP em São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Ao longo dos anos, como sempre existiu uma grande cumplicidade com os artistas, houve sempre a preocupação de guardar as peças mais significativas de cada fase. Assim se foi construindo a colecção. Estão representados praticamente todos os artistas que expuseram na galeria. Destacam-se os núcleos mais significativos de obras dos artistas Eduardo Batarda, António Dacosta, José Escada, Eduardo Luiz, Jorge Martins, Menez, Graça Morais, António Palolo, Costa Pinheiro, Júlio Pomar, Paula Rego, Ana Vidigal e Fátima Mendonça.



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                               Centro de ArteManuel Brito - CAMB  
Palácio Anjos Algés - Alameda Hermano Patrone, 1495-064 Algés 

 Aqui;   http://111.pt/galeria/

A colecção abrange obras de 1914 até à actualidade. Começa com dois trabalhos de Amadeo de Sousa-Cardoso, a que se seguem Francis Smith, Eduardo Viana, os baixo-relevos de Almada Negreiros, provenientes do Cine San Carlos de Madrid, António Soares, Jorge Barradas, Milly Possoz, Abel Manta, Carlos Botelho, Máro Eloy, António Pedro, Cândido da Costa Pinto, Mário Dionísio, Mário Henrique Leiria, Carlos Calvet, Maria Helena Vieira da Silva, Dordio Gomes, Augusto Gomes, Joaquim Rodrigo, Luís Dourdil, João Hogan, Vasco Costa, Nadir Afonso, Júlio Resende, Rolando Sá Nogueira, António Charrua, Marcelino Vespeira, Rogério Ribeiro, Bartolomeu dos Santos, Nikias Skapinakis, Eurico Gonçalves, António Quadros, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, António Areal, João Abel Manta, Lourdes de Castro, João Vieira, René Bértholo, Joaquim Bravo, José Rodrigues, Manuel Baptista, Ângelo de Sousa, Álvaro Lapa, Espiga Pinto, Jorge Pinheiro, Gonçalo Duarte, Henrique Ruivo, Eduardo Nery, José de Guimarães, Noronha da Costa, Victor Fortes, Jacinto Luís, Pedro Avelar, Carlos Carreiro, Fátima Vaz, Guilherme Parente, Fernando Direito, David de Almeida, Lisa Santos Silva, Fernando Calhau, Julião Sarmento, Ruy Leitão, João Penalva, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez, Xana, Ilda David’, Miguel Rebelo, Urbano, Rui Sanches, José Pedro Croft, Rui Chafes, Miguel Palma, Miguel Telles da Gama, Isabelle Faria, João Leonardo, João Pedro Vale, Joana Salvador, Joana Vasconcelos, João Pedro Vale, João Leonardo e Francisco Vidal.


                                                       





                           

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, instalado no Convento Dominicano de São Gonçalo, foi fundado em 1947, por Albano Sardoeira, visando reunir materiais respeitantes à história local e lembrar artistas e escritores nascidos em Amarante: António Carneiro, Amadeo de Souza-Cardoso, Acácio Lino, Manuel Monterroso, Paulino António Cabral, Teixeira de Pascoaes, Augusto Casimiro, Alfredo Brochado, Ilídio Sardoeira, Agustina Bessa Luís, Alexandre Pinheiro Torres e um observatório de curiosidades à moda oitocentista.

Òleo s/Tela de Luís Dourdil  colecção do 
Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso

Pretendendo manter a lembrança do seu núcleo inicial e das suas colecções, com maior ênfase para a Arqueologia, a sua principal vocação é, porém, a Arte Portuguesa Moderna e Contemporânea, nomeadamente a pintura e a escultura.

Para além da exposição permanente e visando até suprir algumas das lacunas, o Museu organiza exposições temporárias, temáticas, ou monográficas, que se servem do seu acervo e das coleções oficiais ou mostram obras de artistas em atividade.

O Museu organiza o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, de caráter bienal, abrangendo as várias expressões artísticas e com duas distinções em separado: uma incluída no concurso e outra de consagração (carreira).