quarta-feira, 7 de setembro de 2016

"LUIS DOURDIL E A FIGURA COMO MOTIVO" por Cristina Azevedo Tavares

Luis Dourdil  é senhor de uma obra coerente ancorada num desenho ordenado de linha continua e fragmentada de cor urdida em paletas que ora do vermelho e amarelo, se fundem depois nas cores surdas dos cinzas e azuis negros. 



Seja pintura, desenho a carvão ou pastel, independentemente da escala, pintura de cavalete ou mural, é uma obra que integra a figura humana como motivo de eleição.

A geometria da figura não corresponde de todo as figuras geométricas.






 Bem pelo contrário agencia aquela liberdade que aspira à quebra  da linha, à interrupção do desenho à ausência de terminar a linha de contorno, aflorando uma tendência para o abstracto.





Aflorando tal não significa que Dourdil se remeta para esse universo, mas a fluidez da linha, o desprendimento das formas acabam por viabilizar essa proposta de entendimento.
Mais a figura e a condição humanas encontram-se associadas.





Primeiro na representação das figuras populares enquanto motivo  plástico. As mulheres na simplicidade das suas tarefas, as vendedeiras, peixeiras, leiteiras: uma com uma braçada de limões, enquanto outra mostra o peixe, ou sentada numa pausa, ou simplesmente paradas num momento para conversar trazendo o filho ao colo.




Lenços na cabeça ou carrapito, aventais presos à cintura, os corpos 
bem delineados e geométricos definindo-se em planos e volumes de cor, robustos em linhas verticais bem definidas.








Corpos que enchem a superfície da tela do papel ou da parede.
Corpos monumentais que nos remetem para a pintura italiana de
Giotto a Massacio, onde o cubismo pós-guerra se cruza delicadamente.






Assim poderemos invocar a obra de Dourdil entre finais dos anos quarenta e cinquenta do Século XX.



Outros temas como pescadores e barcos (Olhão) assim como as varinas, são também trabalhadas por Dourdil, não apenas como motivo plástico, mas ainda na dimensão da condição humana que enraízava na consciência sócio-politica que o neorrealismo  presente nas Gerais de Artes Plásticas (1946-1956, S.N.B.A.)      integrava. 











De facto, a passagem de Dourdil pelas Gerais, ainda em quarenta, confirma esta propensão partilhada por tantos artistas plásticos durante as duas décadas em referencia.







Texto : "LUIS DOURDIL E A FIGURA COMO MOTIVO"
 ( excerto) de CRISTINA AZEVEDO TAVARES ( Presidente da Direcção  da Sociedade Nacional de Belas Artes) in 
"A Pintura Antes de Tudo"  - Catálogo Comemorativo do  Nascimento do pintor. 2014 /2015

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