quinta-feira, 20 de julho de 2017

“Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte.” Pablo Picasso.



O Café Império
Um restaurante Inaugurado em 1955, o Café Império é um espaço projectado por Cassiano Branco e qualificado como Património Arquitectónico, pela Direcção Geral do Património Cultural.
 Aí pode apreciar o maravilhoso painel de Luís Dourdil, recentemente restaurado, além das obras de Martins Correia e de Jorge Barradas
Av. Almirante Reis, 205 A
Lisboa


Fotografia de Ana Luísa Alvim | CML 

Com uma área de 48m2, o mural é uma monumental obra decorativa executada a têmpera, no ano de 1955. Representa uma série de “conversações” num mesmo plano, revelando um notável sentido de composição e de ritmo, aliando, num raro equilíbrio, a pura linguagem da cor e um subtil jogo de transparências.
Fotografia de Ana Luísa Alvim | CML 
Tumblr da Câmara Municipal de Lisboa dedicado aos detalhes que constituem a nossa cidade-Veja aqui;


fragmento da pintura mural  foto de Antonieta Figueiredo

" (...) usando têmpera de ovo, Dourdil criou um imenso espaço cénico, nem profundo nem apenas bidimensional, povoado de figuras humanas, ora sentadas ora de pé, em grupos também, na simplificação nivelada então garantida pela perfeição das soluções, dos meios tons, das sombras suaves e das distâncias lumínicas, rectangulares, tudo apreciável em travelling lateral, o lugar ou o labirinto da meia festa daquela gente emblemática, a execução solta e exacta, os valores macios, as arestas mais
pressentidas do que ostentadas, um murmúrio de vida colectiva a mover-se em câmara lenta, sublinhando a ideia sem nomes do grande espaço cénico do café, memória de belas salas de fumo de teatros e cinemas( ...)"
Rocha de Sousa



fragmento da  pintura mural  foto de Antonieta Figueiredo

sábado, 15 de julho de 2017



                                                            Luís Dourdil colecção particular
                                                                © All rights reserved


"Linhas sensíveis revelam o diálogo entre a mão e o olhar do pintor,na construção de um espaço que é sempre entendido através da sugestão da figura humana,em desenhos que valem por si mesmos,ou em pinturas de harmónicos valores luminosos"
 Rui Mário Gonçalves in 100 Pintores Portugueses do Século XX Publ.Alfa 











Desenho

Traça a recta e a curva,
a quebrada e a sinuosa

Tudo é preciso.
De tudo viverás.

Cuida com exactidão da perpendicular
e das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
traçarás perspectivas, projectarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão.
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.

Construirás os labirintos impermanentes
que sucessivamente habitarás.

Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.

E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.

Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais 
Cecília Meireles


Os desenhos de Luís Dourdil dão conta,desde a escolha da 
maleabilidade do carvão,a uma voluntariedade da mão que se deixa embriegar na sequência da linguagem e na passagem de um a outro desenho,numa longa e meditada harmonia sem se deixar cegar pela lucidez duma solução,focaliza a sua atenção na figura humana criando uma "caligrafia muito personalizada",como adjectivou o
 Prof., Rocha de Sousa.







Luís Dourdil ___ Museus
"Homens do Fogo" Desenho estudo a carvão -1 Ano 1942
da Pintura a Oleo museu da eletricidade 

(...)" Tivemos,há poucos dias ocasião de apreciar o trabalho de um moço artista,trata-se de Luís Dourdil,que num golpe de asa conquistou já um relevante lugar como artista.È um artista nato que por isso mesmo,cria arte numa linguagem fluente e fresca,como de quem obedece sem hesitações ao génio.
O seu ultimo trabalho é uma ampla e original tela,vinte metros,para a decoração da entrada dos escritórios da Companhia do Gás,na rua do Crucifixo.
Luís Dourdil que é dotado de uma imaginação criadora - essa invulgar preciosa e profunda chama! - soube construir,quási intuitivamente uma larga e harmoniosa composição,com motivos arquitecturais, figurando certas operações,como o trabalho dos fogueiros,o desenrolamento das bobinas de cabos eléctricos,que embelezam,com a respectiva representação humana..."
http://www.fundacaoedp.pt/cultura/colecao-de-arte-fundacao-edp/artistas-representados/72

7-04-1943 IN Diário Popular Adriano de Gusmão 
http://www.fundacaoedp.pt/cultura/colecao-de-arte-fundacao-edp/artistas-representados/72










"A figura humana foi tratada por Luís Dourdil com másculo poder plástico: os seus operários são construídos num traço de vigorosa síntese, sobriamente manchada a cor,guardando largos espaços luminosos.
O realismo dos seus trabalhadores lembra por vezes o de Meunier ou de Millet, realismo heróico.
O seu desenho é de uma excepcional qualidade tendo em conta as proporções do trabalho...."
07-04-1943 IN Diário Popular . Adriano de Gusmão 




"Nunca fui um paisagista.
Parti sempre da forma real,mas só me interessei de facto pela figura humana.Parece que apenas nela encontro a beleza e a tragédia,ou partes articuláveis de uma nova ordem,um dinamismo interno-a pintura,antes de tudo" 
Luis Dourdil



         
Isna de S. Carlos Beira Baixa, carvão da década de 1930.
© All rights reserved


                       
                                                        Luis Dourdil colecção particular
                                                              © All rights reserved



"O desenho foi a sua matriz ao longo da vida.
O seu desenho tem uma leveza e,ao mesmo tempo uma força que marcam a personalidade do artista ....)
Raul Rego.
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Luís Dourdil colecção particular
© All rights reserved


                                       Luis Dourdil colecção particular
                                         © All rights reserved






                                     
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"Era um conversador infatigável Luís Dourdil
Pontualíssimo na 
Brasileira" do Chiado,introduzia na conversação um 
tom queiroziano.Gostava de captar o humor das situações.Premiava com uma gargalhada franca a observação bem-achada do interlucutor.Convivia com correcção e alegria" ... Rui Mário Gonçalves



sexta-feira, 14 de julho de 2017

A Intemporalidade na obra de Luis Dourdil


Carvão s/Papel "Isna"  1980   





(...) Recordar, revisitar, repetir de todos os modos, qualquer forma de aceder ao pintor Luís Dourdil, é favorecer a manutenção da memória e da sua identidade plástica; é promover a continuação de estudos e as mais variadas fruições; é trazer para os grandes públicos e disponibilizar um dos artistas do século XX com obra de relevo; é sobretudo combater a finitude da condição humana, contrapondo pertinente a intemporalidade das suas composições plásticas.
E se essa intemporalidade pode de facto contrariar o esquecimento e o ostracismo, que muitas vezes apanha tão desprevenida, quanto indefesa, a obra criada, será pois na ritualização temporal que podemos contrariar esta e outras circunstâncias, num círculo contínuo de construção e reconstrução da identidade da arte e do património e do seu garante memória.
E, se admitirmos que o fundamento do tempo é essa memória, parece pois ser possível considerar que a exaltámos, cumprindo com a homenagem justa e a divulgação substantiva.

Maria Teresa Bispo 

Licenciada em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; Mestre em Arte, Património e Restauro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; 




O desenho foi a sua matriz ao longo da vida.


"O seu desenho tem uma leveza e,ao mesmo tempo uma força que marcam a personalidade do artista"
Raul Rego.



                                                     
                                                  Carvão s/papel  ano de 1982

Memórias de uma vida


Galeria de Exposições Temporárias do Museu Municipal – Edifício Chiado - Setembro/Outubro de 2015.


Exposição Comemorativa do Centenário de Luís Dourdil em Coimbra





Coimbra prestou homenagem ao pintor Luis Dourdil‪ com uma Exposição de Pintura e Desenho no Museu Municipal Edifício Chiado de 12 de Setembro a 11 de Outubro de 2015.
O Museu Municipal de Coimbra Edifício Chiado tutelado pelo Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, é actualmente constituído por dois pólos distribuídos por diferentes edifícios de interesse patrimonial, localizados no centro histórico da cidade, nomeadamente: o Edifício Chiado - Colecção Telo de Morais, a Torre de Almedina - Núcleo da Cidade Muralhada.



Luis Dourdil nasceu em Coimbra, na Rua do Guedes, freguesia da Sé Velha, a 08 de Novembro de 1914 e faleceu em Lisboa em 1989.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Centro de Arte Manuel Brito - CAMB

Colecção Manuel de Brito


O Centro de Arte alberga a Colecção Manuel de Brito. Este riquíssimo acervo, fruto do trabalho, empenho e dedicação de Manuel de Brito e de sua família, constitui um dos mais importantes núcleos da arte portuguesa do século XX, contando já com importantes referências da produção artística mais actual.

Com efeito, este acervo conta com mais de trezentas obras, de alguns dos mais importantes artistas nacionais.


Tendo por base de trabalho as obras protocoladas o Centro tem levado a cabo um programa expositivo assente em núcleos temáticos de carácter temporário que visam dar a conhecer a Colecção partindo de uma abordagem histórica e um programa de actividades conexas de carácter lúdico e educativo no âmbito do projecto de Serviço Educativo e de Animação do CAMB

 Aqui ;http://camb.cm-oeiras.pt/default.aspx?pg=8758d2a6-0c59-43ab-88c8-197297d0d247




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                                                       Luís Dourdil Colecção Manuel Brito


Esta colecção foi feita ao longo de 40 anos com a disponibilidade económica possível, procurando dignificar sobretudo os artistas portugueses e ajudar a criar a memória de uma época. A Colecção Manuel de Brito está ligada intrinsecamente ao projecto da Galeria 111.
A Galeria 111 iniciou a sua actividade no dia 3 de Fevereiro de 1964. Quando a pequena sala, com as três paredes revestidas de serapilheira e um banco ao longo da montra, anexa à livraria especializada em livros universitários, abriu as portas as suas perspectivas comerciais eram poucas. Sem museus ou centros institucionais dedicados à arte contemporânea, sem mercado e sem espírito de coleccionismo, as galerias de arte simplesmente não tinham razão de existir, ou, se existiam, a sua vida era muito curta.
Neste ano de 1964, a Pop Art apareceu em força na Bienal de Veneza com Robert Rauschenberg, Jim Dine e Claus Oldenberg. Rauschenberg recebeu o grande prémio da Bienal. Em Kassell a Documenta III abriu com o lema Qualidade, não Quantidade. O centro da arte internacional mudara-se de Paris para Nova Iorque.
E o que se fazia em Portugal nestes tempos de tanta agitação? Vivia-se um clima de grande repressão política, com a juventude a partir para as guerras de África. A contestação universitária mantinha-se depois das greves académicas de 1962. A PIDE estava activa e vigilante. A livraria foi visitada pelos seus agentes regularmente desde a sua abertura em 1959 até Abril de 1974.
Na livraria, ainda antes da galeria abrir, já se mostravam as peças da Rosa Ramalho. Na galeria pretendia-se mostrar as obras de artistas jovens que nunca tinham exposto. No primeiro ano expuseram, pela primeira vez, Joaquim Bravo, Álvaro Lapa, António Palolo, Santa Bárbara e António Sena.
Vivia-se num clima de amadorismo, o catálogo era executado em duplicador e impresso em papel de embrulho. Os quadros não se vendiam. Os coleccionadores desta época eram poucos e só compravam artistas de nome feito, não estando interessados nos jovens talentos. Instituições e museus compradores também não havia.
Muito lentamente vai-se construindo um mercado tendo em conta a cumplicidade entre os artistas e a galeria. Como a galeria está situada junto à Cidade Universitária, por ela passaram centenas de alunos de Letras, Direito e Medicina que de simples observadores, com o passar dos anos, se tornaram compradores.
A galeria, sempre ligada à livraria, só vai atingir o estatuto profissional quando Jorge de Brito se torna o maior coleccionador português. A primeira transacção importante foi a venda dos quadros do Grupo do Leão, pertencentes a Francisco Ramos da Costa, então exilado em Paris. A partir daí realizaram-se inúmeras aquisições de obras de arte portuguesa e estrangeira em todo o mundo. Abriram-se as portas do mercado internacional e a galeria passou a ser conhecida.
A galeria deu apoio à Arte Portuguesa no estrangeiro, não só adquirindo e fazendo entrar no país a produção de artistas nacionais radicados no exterior, como ajudando a difundir a sua obra em galerias e editoras internacionais.
Colaborou activamente na divulgação da arte portuguesa cedendo grande número de obras do seu acervo para as mais importantes exposições realizadas em Portugal e no estrangeiro organizadas pelo Ministério da Cultura, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Fundação Calouste Gulbenkian, Sociedade Nacional de Belas Artes, Museus e Instituições Culturais.
Entre os factos mais importantes a aquisição dos frescos de Almada Negreiros que se encontravam em vias de destruição no Cine San Carlos, em Madrid, e de duas enormes pinturas de Vieira da Silva, a partir das quais se fizeram as tapeçarias para a Universidade de Basileia e que agora se encontram no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.
A partir de 1971 estendeu a sua actividade ao Porto com a fundação da Galeria Zen. Após grandes obras de restauro, reabriu em 1996 com a designação Galeria 111 Porto.
Sempre participou nas principais feiras de Arte, desde a primeira MARCA MADEIRA, em 1987, até à Arte Lisboa de 2006. Em Madrid participou na ARCO desde 1986 e em Paris na FIAC.
Em Macau foram realizadas importantes exposições inicialmente no Museu Luís de Camões a partir de 1981 e depois na galeria de exposições temporárias do Leal Senado – Júlio Pomar, Ana Vidigal, Eduardo Luiz, Paula Rego, Menez, António Dacosta e “Geração XXI”, de 1989 a 2002. Graça Morais expôs em 1990, no Pavilhão do Jardim Lou Lim Ioc, numa iniciativa do Instituto Cultural de Macau. Em Pequim, em 1995, organizou-se a exposição Artistas Portugueses, na Casa do Povo na Cidade Proibida, no âmbito da visita do Presidente Mário Soares à China. Em 2000, realizou-se uma exposição de Júlio Pomar no Centro de Arte Contemporânea de Macau, a convite da Fundação Oriente. Esta exposição foi apresentada também na Galeria Nacional em Pequim, em 2001.
Em Dublin, em 1999, organizou-se a exposição Five Portuguese Women (Menez, Paula Rego, Graça Morais, Ana Vidigal e Fátima Mendonça) na galeria do Guinness Hopstore, quando da visita do Presidente Jorge Sampaio à Irlanda.
Em Espanha organizou-se, em 1989, a exposição Portugal Hoy – 30 Pintores no Centro Cultural Conde Duque em Madrid. Em 1992, Pintura y Grabado Portugueses Contemporáneos na Universidad Hispano Americana Santa Maria de la Rábida, em Huelva e, em 2000, Diez Artistas Portugueses Contemporáneos – Colección Manuel de Brito no Museo de la Ciudad, em Madrid.
Em 1994, no âmbito de Lisboa - Capital Europeia da Cultura foi organizada a exposição Colecção Manuel de Brito – Imagens da Arte Portuguesa do Século XX no Museu do Chiado. Esta exposição foi posteriormente apresentada em 1995 em Macau, na Galeria do Forum, a convite do Leal Senado, no MASP em São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Ao longo dos anos, como sempre existiu uma grande cumplicidade com os artistas, houve sempre a preocupação de guardar as peças mais significativas de cada fase. Assim se foi construindo a colecção. Estão representados praticamente todos os artistas que expuseram na galeria. Destacam-se os núcleos mais significativos de obras dos artistas Eduardo Batarda, António Dacosta, José Escada, Eduardo Luiz, Jorge Martins, Menez, Graça Morais, António Palolo, Costa Pinheiro, Júlio Pomar, Paula Rego, Ana Vidigal e Fátima Mendonça.



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                               Centro de ArteManuel Brito - CAMB  
Palácio Anjos Algés - Alameda Hermano Patrone, 1495-064 Algés 

 Aqui;   http://111.pt/galeria/

A colecção abrange obras de 1914 até à actualidade. Começa com dois trabalhos de Amadeo de Sousa-Cardoso, a que se seguem Francis Smith, Eduardo Viana, os baixo-relevos de Almada Negreiros, provenientes do Cine San Carlos de Madrid, António Soares, Jorge Barradas, Milly Possoz, Abel Manta, Carlos Botelho, Máro Eloy, António Pedro, Cândido da Costa Pinto, Mário Dionísio, Mário Henrique Leiria, Carlos Calvet, Maria Helena Vieira da Silva, Dordio Gomes, Augusto Gomes, Joaquim Rodrigo, Luís Dourdil, João Hogan, Vasco Costa, Nadir Afonso, Júlio Resende, Rolando Sá Nogueira, António Charrua, Marcelino Vespeira, Rogério Ribeiro, Bartolomeu dos Santos, Nikias Skapinakis, Eurico Gonçalves, António Quadros, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, António Areal, João Abel Manta, Lourdes de Castro, João Vieira, René Bértholo, Joaquim Bravo, José Rodrigues, Manuel Baptista, Ângelo de Sousa, Álvaro Lapa, Espiga Pinto, Jorge Pinheiro, Gonçalo Duarte, Henrique Ruivo, Eduardo Nery, José de Guimarães, Noronha da Costa, Victor Fortes, Jacinto Luís, Pedro Avelar, Carlos Carreiro, Fátima Vaz, Guilherme Parente, Fernando Direito, David de Almeida, Lisa Santos Silva, Fernando Calhau, Julião Sarmento, Ruy Leitão, João Penalva, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez, Xana, Ilda David’, Miguel Rebelo, Urbano, Rui Sanches, José Pedro Croft, Rui Chafes, Miguel Palma, Miguel Telles da Gama, Isabelle Faria, João Leonardo, João Pedro Vale, Joana Salvador, Joana Vasconcelos, João Pedro Vale, João Leonardo e Francisco Vidal.


                                                       





                           

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, instalado no Convento Dominicano de São Gonçalo, foi fundado em 1947, por Albano Sardoeira, visando reunir materiais respeitantes à história local e lembrar artistas e escritores nascidos em Amarante: António Carneiro, Amadeo de Souza-Cardoso, Acácio Lino, Manuel Monterroso, Paulino António Cabral, Teixeira de Pascoaes, Augusto Casimiro, Alfredo Brochado, Ilídio Sardoeira, Agustina Bessa Luís, Alexandre Pinheiro Torres e um observatório de curiosidades à moda oitocentista.

Òleo s/Tela de Luís Dourdil  colecção do 
Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso

Pretendendo manter a lembrança do seu núcleo inicial e das suas colecções, com maior ênfase para a Arqueologia, a sua principal vocação é, porém, a Arte Portuguesa Moderna e Contemporânea, nomeadamente a pintura e a escultura.

Para além da exposição permanente e visando até suprir algumas das lacunas, o Museu organiza exposições temporárias, temáticas, ou monográficas, que se servem do seu acervo e das coleções oficiais ou mostram obras de artistas em atividade.

O Museu organiza o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, de caráter bienal, abrangendo as várias expressões artísticas e com duas distinções em separado: uma incluída no concurso e outra de consagração (carreira).




Memórias de Exposições Casa da Cerca Almada - 2009


Gravar e Multiplicar - Exposição
A Casa da Cerca Centro de Arte Contemporânea expõe mais de uma centena de gravuras nacionais e internacionais pertencentes à colecção do Centro de Arte Moderna, da Fundação Calouste Gulbenkian. 

Cobrindo sobretudo os últimos 50 anos do século XX, a exposição pretende mostrar a grande diversidade de técnicas e de possibilidades plásticas da gravura. Com o comissariado científico de António Canau, artista plástico com formação em gravura na Slade School de Londres, a mostra reúne obras de Alice Jorge, Almada Negreiros, Bartolomeu Cid dos Santos, Carlos Botelho, Cipriano Dourado, David de Almeida, Eduardo Nery, Emília Nadal, Escher, Fernand Léger, Fernando Calhau, Henry Matisse, Henry Moore, Horst Antes, Jacek Gaj, Jasper Jacques Villon, João Hogan, John Hoyland, Jorge Martins, Jorge Vieira, Júlio Pomar, Karen Appel, Karl Schmidt-Rottluff, Lourdes de Castro, Luís Dourdil, Man Ray, Maria Beatriz, Maria Gabriel, Mário Botas, Max Ernst, Mily Possoz, Niki de Saint-Phalle, Nikias Skapinakis, Oskar Kokoscha, Otto Müller, Paula Rego, Richard Hamilton, Rogério Ribeiro, Sérgio Pinhão, Sonia Delaunay, Tony Craggs e Vieira da Silva.


Litografia de Luis Dourdil ano de 1984 - Centro de Arte Moderna, da Fundação Calouste Gulbenkian.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Dourdil - A arte na escola



 O fluir da vida cultural deve ser conhecido se queremos entender alguma coisa da acção dos protagonistas".

Rui Mário Gonçalves

Luís Dourdil_______Arte na Escola: Colégio Valsassina
Colecção particular .© All rights reserved 




Partindo da analise da obra de artistas portugueses como, Graça Morais, Luís Dourdil, Paula Rego, Julião Sarmento, Almada Negreiros entre outros, os alunos do 12º ano na disciplina de Desenho, elaboraram vários registos gráficos de figura humana.
aqui;
http://evtvalsassina.blogspot.pt/2012_10_01_archive.html

Dourdil /Memórias - A arte e a sua obra na decoração de interiores.






Óleo s/tela de Dourdil em contraste com a cómoda francesa numa decoração de Malu Futscher Pereira, Revista Casa & Jardim (Dezembro de 1998).



Link R.T.P.;https://arquivos.rtp.pt/conteudos/malu-futscher-pereira/

Programa dedicado a Malu Futscher-Pereira, decoradora de interiores, incluindo entrevista conduzida por Carlos Veríssimo, e aspectos de casas com mobiliário e peças decorativas utilizadas nos seus trabalhos.




Pintura/pastel de Luís Dourdil sobre uma cómoda francesa, com porcelana Companhia das Indias, decoração de Malu Futscher-Pereira Revista Casa & Jardim (Maio de 1989).

Recordando o Centenário de Luís Dourdil 2014/2015


No ano em que se assinalaram 100 anos sobre o nascimento de Luís Dourdil, a Câmara Municipal de Lisboa e a família do pintor, em colaboração com a Sociedade Nacional de Belas Artes, o Museu da Farmácia e o Café Império, promoveram um programa de actividades em torno da obra de um dos mais emblemáticos artistas portugueses do século XX.  

O programa teve início no dia 08 de Novembro no Café Império às 16h30.  
O mote de partida foi a vida e obra do artista, bem como o recente restauro da pintura mural de 48m2 que cobre uma das paredes do estabelecimento, efectuado sob a coordenação técnica da Câmara Municipal de Lisboa. A vida e obra do artista foi tema de uma tertúlia que contou com a presença de Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura da CML, de Rocha de Sousa, António Valdemar, Lima de Carvalho, José Luís Ferreira, João Neto e Luís Fernando Dourdil, seguida de uma visita orientada à obra e da inauguração da exposição "Cem Anos de Dourdil"





O programa que se estendeu até Novembro de 2015 prevê, entre outras iniciativas, tertúlias em cafés e museus, visitas orientadas e extensões da exposição "Cem Anos de Dourdil" na Sociedade Nacional de Belas Sociedade Artes, no Museu da Farmácia, nos Paços do Concelho. Contou com a participação de historiadores, críticos de arte e artistas plásticos cujas intervenções permitiram reflectir sobre a obra de Luís Dourdil e o contexto em que foi produzido. Link:




segunda-feira, 24 de abril de 2017

"Recordando Nicolas de Stael" de Luis Dourdil


"Uma tela não está pintada por estar toda "tintada", está, sim, quando, compositivamente, as formas nela definidas pela cor pelo desenho se harmonizam entre si e exprimem o que o pintor nos quis comunicar".
© All rights reserved

Luís Dourdil




"Recordando Nicolas de Stael" Óleo s/tela de Luís Dourdil
© All rights reserved C/particular



Pintura a óleo de Luís Dourdil - "Bairro da Lata"
© All rights reserved C/particular
"Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos.
Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir."

José Saramago
Cadernos de Lanzarote 1994




sexta-feira, 21 de abril de 2017

Pintura a óleo  de Luís Dourdil
© All rights reserved C/particular

" A sua obra enche-se  progressivamente de silêncios falantes, há nela uma sufocação magoada, a memória das dilacerações, a paisagem privada de som físico e suspensa de uma espécie de tragédia sem nome.
Estilhaçadas, as formas vivem trajectórias incumpridas ,
desfazem-se e refazem-se em câmara lenta, como num filme irreal e, no entanto, comovente de humanidade."
 Rocha de Sousa in DOURDIL Col/Artes e Artistas Imprensa Nacional Casa da Moeda


Pintura a óleo (pormenor) Ano 1963 de Luís Dourdil
© All rights reserved C/particular



"De vez em quando a eternidade sai do teu interior e a contingência substitui-a com o seu pânico. 
São os amigos e conhecidos que vão desaparecendo e deixam um vazio irrespirável.
Não é a sua 'falta' que falta, é o desmentido de que tu não morres."
Vergílio Ferreira






Pintura  (pormenor)  "Fase do Metro" de Luís Dourdil

A projecção dos vultos, a luz o movimento/velocidade através dos vidros da janela.. deu origem a uma "fase" que muito inspirou o pintor.




A identidade de um estilo Luis Dourdil

 (...) Recordar, revisitar, repetir de todos os modos, qualquer forma de aceder ao pintor Luís Dourdil, é favorecer a manutenção da memória e da sua identidade plástica; é promover a continuação de estudos e as mais variadas fruições; é trazer para os grandes públicos e disponibilizar um dos artistas do século XX com obra de relevo; é sobretudo combater a finitude da condição humana, contrapondo pertinente a intemporalidade das suas composições plásticas.
E se essa intemporalidade pode de facto contrariar o esquecimento e o ostracismo, que muitas vezes apanha tão desprevenida, quanto indefesa, a obra criada, será pois na ritualização temporal que podemos contrariar esta e outras circunstâncias, num círculo contínuo de construção e reconstrução da identidade da arte e do património e do seu garante memória.
E, se admitirmos que o fundamento do tempo é essa memória, parece pois ser possível considerar que a exaltámos, cumprindo com a homenagem justa e a divulgação substantiva.

Maria Teresa Bispo 
Licenciada em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; Mestre em Arte, Património e Restauro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa;


 Pintura de Luis Dourdil colecção particular   © All rights reserved

" Luis Dourdil - A identidade de um estilo"

Óleo de Luis Dourdil colecção particular
© All rights reserved




Ode à Paz


Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, 
Pelas aves que voam no olhar de uma criança, 
Pela limpeza do vento, pelos atos de pureza, 
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança, 
Pela branda melodia do rumor dos regatos, 

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia, 
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos, 
Pela exatidão das rosas, pela Sabedoria, 
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes, 
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos, 
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes, 
Pelos aromas maduros de suaves outonos, 
Pela futura manhã dos grandes transparentes, 
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra, 
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas 
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra, 
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna, 
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz. 
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira, 
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz, 
Abre as portas da História, 
deixa passar a Vida! 


Natália Correia, 
in "Inéditos (1985/1990)"

domingo, 9 de abril de 2017

AS RELAÇÕES DO NEO-REALISMO COM AS ARTES VISUAIS






Lançamento da revista Nova Síntese nº 10
http://www.belasartes.ulisboa.pt/lancamento-da-revista-nova-sintese aqui; http://www.belasartes.ulisboa.pt/lancamento-da-revista-nova-sintese/

No dia 17 de Fevereiro de 2017 a apresentação da revista "Nova Sintese nº 10 realizou-se no Auditório Lagoa Henriques pelas 18h .Foi apresentada pela Professora Cristina Azevedo Tavares na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.



Da representação social em arte ao empenhamento político-artístico: Imagens d’ O Diabo - Luísa Duarte Santos 
Lançamento da revista Nova Síntese nº 10


08 de Abril de 2017
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Museu do Neo-Realismo e a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo apresentaram no  dia 8 de abril, pelas 15h00, no Auditório do Museu do Neo-Realismo, o nº10 da Revista Nova Síntese, dedicado às relações do Neo-Realismo com as Artes Visuais.

A sessão contou com as presenças de Vítor Viçoso, Director da Revista e António Pedro Pita, Director Científico do Museu do Neo-Realismo, e teve a apresentação de David Santos, coordenador da parte 1 deste número







 O pintor Luís Dourdil é por nós interpretado à luz de uma aproximação ao neorrealismo, a partir de uma obra de excepção: “Homens do Fogo”.
Luísa Duarte Santos desenvolve uma nova leitura sobre as relações entre a “representação social em arte” e o “empenhamento político-artístico”, a partir das “imagens” publicadas no influente “O Diabo”.





O presente número da revista Nova Síntese é dedicado às relações do neorrealismo com as artes visuais. O tema impõe-se, desde logo, pela natureza específica de uma ligação profícua e complexa (contrariando assim algumas ideias comuns que proliferam ainda na história da arte do nosso país) e que motivou o empenho de muitos dos melhores artistas da terceira geração modernista portuguesa, com expressão desde meados dos anos 40 até ao final da década seguinte. Apesar de a produção de obras de arte inspiradas por alguns princípios estéticos e éticos identificados com o movimento neorrealista ter dominado sobretudo a arte moderna portuguesa no período do imediato pós-guerra, uma poética sensível aos temas sociais, com sentido mais ou menos crítico e reivindicativo, fez o seu caminho ao longo dos anos 50 até se associar, lentamente, a uma opção mais individual de observação e prática em torno de uma nova figuração inspirada já por outras coordenadas, como podemos ler na interpretação proposta por Fernando Rosa Dias, no primeiro e mais extenso ensaio desta edição. Diríamos que, durante pouco mais de quinze anos, o neorrealismo esteve presente no percurso, no imaginário e nos desenvolvimentos da arte portuguesa de um modo que merece não apenas ser reconhecido como reinterpretado, sob a óptica de novas linhas de investigação que contribuam finalmente para desfazer mitos e ideias pouco produtivas sobre a sua importância no panorama artístico do século XX português.(...)
David Santos